Regresso à natação depois do verão

Setembro é o mês em que as piscinas municipais voltam a encher. Também é o mês em que mais gente se inscreve, vai três semanas e desaparece. Vale a pena olhar para as razões, porque quase nenhuma tem que ver com falta de vontade.

Voltar não é continuar de onde se parou

Dois meses parado custam mais na natação do que na corrida. A adaptação cardiorrespiratória perde-se depressa, mas o que se perde primeiro é a sensação de água — a noção da posição do corpo e do apoio na mão. Quem tenta retomar ao ritmo de junho fica sem ar ao fim de cinquenta metros e conclui que perdeu tudo. Não perdeu; está apenas a nadar mal.

As duas primeiras semanas devem ser mais curtas e mais lentas do que apetece. Séries de vinte e cinco metros com descanso confortável, atenção à posição da cabeça e ao alinhamento, e pouca distância total.

Três coisas que resolvem a maioria dos problemas

  • Cabeça baixa. Levantar a cabeça afunda as pernas e obriga a pernada a compensar, o que gasta um esforço enorme. O olhar deve ir para o fundo, não para a frente.
  • Respirar de dois em dois. Aguentar mais tempo sem respirar não treina nada útil e degrada a técnica. Respirar cedo e com regularidade mantém o ritmo.
  • Menos braçadas por piscina. Contar as braçadas e tentar reduzi-las ensina mais sobre eficiência do que nadar depressa.

Quem nunca aprendeu bem

Há muito adulto a nadar há anos com uma técnica que aprendeu sozinho e que o limita. Duas ou três sessões com professor resolvem em pouco tempo o que anos de repetição não corrigem — porque a repetição consolida o erro em vez de o eliminar.

A vantagem que se subestima

A natação é das poucas actividades que permite carga cardiovascular séria sem impacto articular. Para quem tem problemas de joelho, de anca ou de coluna, e para quem regressa ao exercício depois de muitos anos parado, costuma ser o ponto de entrada mais seguro — desde que a técnica não transforme uma actividade sem impacto numa fonte de lesão no ombro.

Aí, a regra é a mesma de sempre: volume a mais, cedo de mais, com técnica a menos.